domingo, 28 de maio de 2017

A Culpa é minha XD

Um update depois de anos! Uau! Já nem lembrava do layout do Blogger (que vergonha!).  O motivo é excepcional =D

Lancei uma história em quadrinhos da coleção Ugrito da UgraPress, o de número 11, que se chama "Culpa". 


Essa é uma foto do dia do lançamento na loja da Ugra (Rua Augusta, 1371, loja 116 - São Paulo, SP).
"Culpa" pode ser comprado aqui. (dá pra ver o Timelapse do Thiago Souto - muito bom! - e amendoins gostosos =D) 

Agradeço demais ao Douglas e à Dani pelo convite! A Bianca Pinheiro também me honrou com um texto dela (que vocês podem ler no link de compra) - mil obrigadas!

Também já agradeci mas agradeço de novo a todo mundo que apareceu no lançamento (que foi no dia 29 de abril de 2017 - quase um mês atrás). Como eu queria voltar a alimentar este espaço abandonado, nada melhor que retomar por cima =) 

A coleção Ugrito tem HQs de nomes como Juscelino Neco, Chiquinha, Marcatti, Thiago Souto, e pode ser vista aqui. Eu já colecionava bem antes de ter sido convidada, e são pequenas jóias em forma de quadrinhos. Depois de ter feito o "Culpa" (nome se aplica também ao meu sentimento por ter atrasado todos os prazos), vi como é difícil fazer uma história, mesmo que seja curta. 16 páginas, formato pequeno, mas foi um esforço gigante para bolar a HQ. Alguns dos Ugritos são simplesmente geniais (not mine of course) e admiro ainda mais os autores agora. 

É estranho porque como leitor, a gente lê e acha que foi "sem esforço", como se as histórias brotassem prontas, e desenhar fosse o mais difícil. Planejar essas 16 páginas, que surgiram depois de muitas ideias descartadas, várias folhas de fichário escritas, com versões da mesma história com finais diferentes - na verdade não diferentes, mas onde terminar? como terminar? Podia fazer o corte depois, mas e se fizesse antes? - foram 4 meses nessa busca, e até hoje  acontece de folhear um caderno e me surpreender ao me dar de cara com algumas ideias descartadas, seja porque na prática não caberia nas 16 páginas do Ugrito de maneira satisfatória, ou porque poderia ser até mais curta, ou patéticas demais, sei lá. 

Sei que aprendi que eu mesma coloquei algumas barreiras para mim mesma, algumas censuras e pré-conceitos descabidos, achando que tinha que me encaixar em uma forma, mas graças à paciência da minha terapeuta, e à paciência do Douglas , essas ideias "erradas" e muitos medos foram caindo. Só assim saiu a HQ, do jeito que saiu. Me emociona a reação das pessoas, pois é uma HQ muito pessoal. Me dói que doa para alguns, e sinto muito. 

Acabei escrevendo demais, mas achei importante. Eu sou insegura demais, tenho uma voz interna que me fala coisas horríveis, pensei em desistir, mas ficou pronto, olha só. 

Que mais pessoas que lidam com insegurança, com vozinhas horríveis, consigam dar uma volta, despistá-las um pouco, para terminar mais HQs. =)

(e terapia ajuda, pra quem estiver relutante em ir atrás, mas lida com insegurança, ansiedade, depressão... a ponto de não conseguir fazer muita coisa. Quem não tem condições, dá pra procurar em faculdades que tenham curso de psicologia)

É isso =) obrigada pela leitura! 

P.S.: ah, e o Quadrinhos A2? O trabalho árduo fica com o Paulo, que bola as HQs, planeja cada página com seus layouts... eu só dou pitaco e desenho =D Happy Happy Joy Joy







quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Kotatsu


Tirado do caderninho meio velho, mas perfeito para este tempo frio.(que eu amo, não estou reclamando =D)

Neko é gato em japonês, buta é porco, e kotatsu é isto aqui.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Hourly Comics 2012

Primeira vez que participo da Hourly Comics Day, e ficou bem tosquinho, não reparem!! Fora que comecei em inglês e continuei em português, hahaha. E foi um dia bem pouco produtivo. =P




Se você leu até aqui, veja algumas Hourly Comics bem bacanas (pra não falar que sua visita aqui foi em vão, hehe):
Scott C. http://www.pyramidcar.com/hourly-comics-day-yesterday/
Jen Wang http://jenwang.net/archives/470
Vera Brosgol http://verabee.com/hourlycomicsday/
Grahan Annable http://www.flickr.com/photos/grickle/sets/72157629144970685/
Lucy Knisley fez com aquarela, ficou lindo!
http://lucylou.livejournal.com/601018.html

E mais aqui (ainda não olhei todos, ainda mais usando pouca internet por dia... ou tentando!)
http://www.tencentticker.com/msgbrd/viewforum.php?f=29

Pra terminar, uma 24hour comics muito animal:
http://english.bouletcorp.com/2012/02/01/darkness/

Um dia faço uma também.


quarta-feira, 25 de maio de 2011

e mais sketches




E estes são sketches mais recentes.

mais sketches





Mais uns rabiscos pra não morrer o blog como morreu o desafio. Ou não. Pretendia retomar, mas não sei quando. Por enquanto posto estes sketches meio antigos.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Fatos reais


desenho de 2004. Não mudei muito desde então.



- Cadê a resenha?
- Não escrevi, fiquei com medo. O medo paralisa, sabe como é.
- Paralisa a inteligência ficar repetindo clichês, isso sim.Medo de quê?
- ... de... revelar a minha ignorância, minha limitação intelectual. Fiz uma breve pesquisa e constatei que me falta base para escrever uma resenha do jeito que gostaria de ler, caso a visse publicada por aí.
- Ok, breve pesquisa aonde?
- ... ué, aonde mais senão no Google?


O silêncio e o olhar, o sorriso de escárnio se formando. Antes que o professor respondesse, sacou rápido:
- Mas eu sabia que não era o suficiente. Que devia ter ido à biblioteca, visto livros, pesquisado mais a fundo.

- "Visto" livros ou "lido" livros?

- O senhor entendeu o que eu quis dizer. Mas não tive tempo. E tenho tanto medo de escrever e expor uma idéia pífia, que prefiro me abster.

- Mas este curso é de crítica de arte, como espera concluir o curso sem praticar a crítica?

- Me satisfaço só assistindo a sua aula.

- E vendo livros? Passando rapidamente por assuntos no Google? Com que intenção se matriculou neste curso?

- Queria conhecer o que faz um Crítico. Passei boa parte da vida lendo-os no jornal, e várias vezes, na falta de conseguir ir a um espetáculo, uma exposição, ou mesmo ao cinema, podia me satisfazer através dos olhos e do julgamento de um bom crítico que conseguia ver coisas que eu jamais veria.

- E nisso você deixou de ter as suas opiniões. Parou de pensar por si?

- Bom, nunca fui muito confiante nas minhas capacidades mentais. Já tive um estranho me chamando abertamente de "Burra" em menos de 5 minutos de convívio, e aceitei o veredicto. Mais tarde um ex-chefe (para quem trabalhava há um mês) confirmou. Fora que nunca me senti capaz de engatar 2 minutos de conversa. Mas tenho opiniões sim, e bem fortes, só que a respeito de mim mesma.

Sorria pensando que conseguira um fio de dó. Era disso que vivia, afinal. Queixava-se de tudo na vida: do frio no inverno, do calor no verão. Nunca se preocupou mais com o próximo do que com a sua auto-destruição. Isso sim tomava 90% de seu tempo, quando não se distraía na Internet, tentando levar a mente a outras pradarias longe daquele chicote imaginário que usava para se açoitar, o couro de palavras mais duras que nem inimigos lançariam. Imaginava-se caída, morta, e pessoas conhecidas murmurando sobre como já foi tarde. Sentia um prazer confirmar que sua vida foi desprovida de significados na vida dos outros, e que partia sem remorsos. Nem o cachorro sentiria sua falta.

Esperava uma resposta, talvez um afago. Mas nem em uma conversa imaginária conseguia boas respostas, afinal não estava à altura da inteligência e capacidade de argumentação que seus interlocutores teriam na vida real. Na sua imaginação limítrofe, até Shakespeare teria a eloquência de um Zina. Conformou-se com o fato de não ter uma resenha para entregar ao professor, pensou no diálogo que não teria com ele, entre tantos diálogos já imaginados e jamais iniciados, e saiu rumo à aula de mãos abanando.

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Uma triste atualização neste texto, em 31/01/2011: não fui à aula de mãos abanando. Faltei por vergonha. Perdi uma aula riquíssima graças à inteligencia do professor e a facilidade com que comunica tamanha bagagem cultural aos alunos. Sete meses depois, esse professor, que era também um escritor e jornalista brilhante (só me inscrevi nestas aulas pois era leitora assídua de sua coluna no jornal.) faleceu, repentinamente, levado por um AVC aos 41 anos. Perdi a oportunidade única de ter um texto meu avaliado por ele, achando que teria outras chances, já que a vida parecia seguir e ele daria outros cursos, um deles eu me matricularia e faria até o final depois de passar por um psicanalista que resolvesse meu problema de autocrítica destrutiva. Mas a vida - ou a morte - não esperou.

"a gente perde tanto tempo e tantas oportunidades, nao é?" É, Fabi... Engraçado que eu lia os textos dele, às vezes não concordava, às vezes concordava com um sorriso, me emocionava, e nunca fiz um comentário no blog dele. Às vezes eu penso que vivo na mesma época que um monte de gente que admiro, e o que me impede de tentar um contato, trocar uma idéia, fora a vergonha que me assola?

segunda-feira, 7 de março de 2011